O Carste

O que é?

A palavra carste tem sua origem em uma região calcária na atual Eslovênia, onde foram realizados os primeiros estudos neste tipo de rocha. O termo local é kras , que foi germanizado para karst , dando origem ao vocábulo "carste". A palavra, em servo-croata, designa "campo de pedras calcárias" e atualmente é adotada para qualquer região do mundo que possua características semelhantes à da região do "carste clássico". O calcário é uma rocha solúvel e, através da ação da água, dá origem a uma série de feições típicas do carste, como dolinas (depressões fechadas), sumidouros, ressurgências e, principalmente, cavernas.

O termo foi originalmente utilizado para regiões de rochas carbonáticas (que possuem o radical carbonato como calcários e dolomitos). Hoje em dia, no entanto, é adotado para outras rochas que, através de processos químicos de dissolução, geram formas semelhantes às do carste carbonático, como sal, gesso, arenitos e quartzito.

 

A importância do carste

As regiões cársticas perfazem mais de 20% da superfície do globo terrestre. Estima-se que por volta de 25% da população mundial dependa da água subterrânea em regiões cársticas. A importância do carste como aqüífero é inegável. No entanto, o carste é também importante devido à riqueza de seu solo, cultivado há milênios em muitas regiões do planeta, valor econômico para a mineração (cimento, depósitos minerais no carste como zinco, chumbo, etc), uso turístico, principalmente relativo às cavernas, entre muitos outros.

O carste encerra, também, um notável valor científico e cultural, apresentando alguns dos mais ricos acervos arqueológicos e paleontológicos do planeta, além de grande importância para a biologia e geologia. Para uma visão mais detalhada sobre a importância das cavernas e do carste, consulte os vários textos localizados em www.redespeleo.org (item "espeleologia").

 

Regiões cársticas do Brasil

O mapa abaixo apresenta as principais áreas carbonáticas do Brasil (em preto) e também as principais áreas quartzíticas que apresentam cavernas (em laranja). Também representadas estão áreas carbonáticas de pequena extensão (triângulos) e áreas em outras litologias (principalmente arenitos) onde se conhecem cavernas (quadrados). Áreas em minério de ferro estão representadas por estrelas vermelhas.


Estima-se que as áreas cársticas carbonáticas no Brasil perfaçam cerca de 200 mil km 2 . Considerando o pouco conhecimento que ainda se tem das rochas susceptíveis a apresentarem cavernas consideramos que cerca de 5% da superfície do país (450.000 km 2 ) apresenta condições de conter cavernas. Este valor deve se modificar com o avanço das pesquisas geológicas e espeleológicas.

O potencial espeleológico do Brasil é, ainda, enorme. Parece seguro afirmar que, hoje, menos de 5% das cavernas existentes tenham sido identificadas. Nosso potencial espeleológico situa-se seguramente na faixa de algumas centenas de milhares de cavernas. Apenas a título comparativo, em países mais desenvolvidos do ponto de vista espeleológico, como Itália e França, com áreas equivalentes ao estado de Minas Gerais, cerca de 40 mil cavernas são conhecidas. A ausência de pesquisa, pequeno número de espeleólogos, dificuldades de acesso, dentre outros motivos, justificam o reduzido conhecimento que ainda temos do potencial espeleológico brasileiro.

A maior ocorrência de rochas favoráveis a cavernas no Brasil é representada pelos calcários e dolomitos do Grupo Bambuí, que se desenvolvem desde o sul de Minas Gerais até o centro-oeste da Bahia, passando também pelo leste de Goiás. Inserida nos calcários Bambuí encontra-se, entre outras, a região de Lagoa Santa, berço da espeleologia brasileira, com mais de 700 grutas registradas; a região de Arcos e Pains, também com centenas de cavernas conhecidas, e a região do vale do Rio Peruaçu, com a magnífica Gruta do Janelão e vários sítios arqueológicos. No estado de Goiás destaca-se a região de São Domingos, com várias enormes cavernas percorridas por rios caudalosos, e a região de Mambaí, também com um grande número de cavidades importantes. No estado da Bahia destaca-se a Serra do Ramalho e seus arredores, com várias cavernas importantes, entre elas a Gruta do Padre, com 16,3 km de extensão, a terceira maior caverna do país, e a região de São Desidério, comportando algumas das cavernas com maior espaço interno do país. No oeste de Minas Gerais, os dolomitos da Formação Vazante encerram importantes cavernas

Os calcários e dolomitos do Grupo Una ocorrem a partir da região central da Bahia, estendendo-se até o norte do estado. Duas áreas concentram as principais cavernas de interesse: a região da Chapada Diamantina, com várias cavernas de grande extensão e beleza, como a Lapa Doce, e a região de Campo Formoso, que abriga as duas maiores cavernas do país, a Toca da Boa Vista e a Toca da Barriguda, respectivamente com 108 km e 30 km de extensão. Muito próximo destas duas cavernas existem afloramentos do calcário Caatinga, que apresentam algumas cavernas importantes, entre as quais a ampla Gruta do Convento.


No oeste do país ocorrem calcários e dolomitos do Grupo Corumbá e do Grupo Araras. Os primeiros ocorrem principalmente no Estado do Mato Grosso do Sul, nos arredores da Serra da Bodoquena, apresentando belas cavernas alagadas, principalmente nas proximidades da cidade de Bonito. O Grupo Araras, por sua vez, predomina no Mato Grosso e também apresenta muitas grutas, principalmente próximo a Nobres. Em Rondônia, no Pará e no Amazonas ocorrem alguns afloramentos de calcário. Os mais importantes situam-se próximos a Itaituba, no Pará, onde a recente colonização tem levado à descoberta de algumas cavernas de importância.No sul do Estado de São Paulo e no Paraná afloram os calcários e dolomitos do Grupo Açungui. É uma região de grande beleza, que contém mais de 300 cavernas. No lado paulista, a maior concentração está no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), com algumas das cavernas mais ornamentadas do país, como a Caverna Santana. Próximo ao PETAR, o Parque Estadual de Jacupiranga abriga a Caverna do Diabo, parcialmente adaptada para o turismo, com amplos salões extremamente ornamentados. O lado paranaense do Grupo Açungui possui muitas grutas, embora de menores dimensões. Em Santa Catarina ocorrem os calcários do Grupo Brusque, apresentando como principal caverna a Gruta de Botuverá, no município de mesmo nome.

No nordeste do Brasil afloram os calcários do Grupo Apodi, que, apesar de possuírem muitas cavernas, ainda não nos revelaram grutas de grande porte. No Estado do Ceará, os calcários do Grupo Ubajara possuem ocorrência restrita, apresentando poucas cavernas conhecidas, entre elas a famosa Gruta de Ubajara. Várias ocorrências de menor porte de calcários e dolomitos existem em todo o Brasil. Algumas aparentam possuir pouco potencial ao passo que outras, em locais mais remotos, ainda não foram adequadamente exploradas por espeleólogos.


No Brasil ocorre ainda um grande número de cavernas em rochas como minério de ferro (nas regiões ao sul de Belo Horizonte e na Serra dos Carajás, no Pará), granito, gnaisse e bauxita, entre outras. São em geral cavernas de pequeno porte. Uma exceção é a Gruta dos Ecos em Cocalzinho, Goiás, inserida em sua maior parte em micaxistos, e que possui 1.600 m de extensão.O potencial brasileiro em termos de cavernas em quartzito é enorme. O Brasil possui algumas das maiores e mais profundas cavernas do mundo neste tipo de rocha. A mais profunda caverna em quartzito do mundo (e também a mais profunda caverna do Brasil) é o Abismo Guy Collet, localizado na fronteira com a Venezuela. Uma pequena área no centro do estado de Minas Gerais contém muitas cavernas quartzíticas longas e profundas, como a Gruta do Centenário, a segunda mais profunda do Brasil com 484 m de desnível. As regiões do Parque Estadual de Ibitipoca, de Carrancas e de Luminárias, no sul de Minas Gerais, também apresentam um rico acervo de cavernas quartzíticas. Outra área de importante concentração de cavernas deste tipo é a região da Chapada Diamantina, na Bahia. Várias regiões, principalmente no nordeste e no sudeste, apresentam cavernas quartzíticas de importância. Cavernas areníticas são bastante freqüentes em todo o território nacional. Existem importantes concentrações na Chapada dos Guimarães (MT), em São Paulo, no Paraná e no interior do Piauí, além de muitas cavernas de grande porte dispersas em várias regiões da Amazônia.


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